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Após a maratona Ethiopian Airlines, finalmente pisei em solo alemão. Mal saí do avião e já comecei a ser ofendida por placas que diziam na minha cara, sem qualquer cerimônia, coisas como Einschiffung, Sicherheitscheck, Endgerät, Flughafen, Gepäckausgabe...
Gepäckausgabe é a mãe!
Me recompus do impacto inicial, foquei nos desenhos e corri até o controle de passaportes. Motivo da pressa: havia agendado outro voo, de Frankfurt para Berlim, naquele mesmo dia, em menos de 3 horas.
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| Sim, eu gosto de viver perigosamente. |
Péssima ideia? Pois é, mas o outro voo barato era no dia seguinte e o mochilão causa um efeito colateral no meu cérebro: ele entra em "travel mode" e faz qualquer risco desnecessário que resulte em ganho de tempo parecer uma opção muito melhor do que a segurança de um planejamento bem feito.
O resultado disso foi chegar esbaforida no controle de passaportes e receber o primeiro olhar desconfiado da viagem.
"Motivo da viagem?"
"Férias muito merecidas."
"Quanto tempo em Frankfurt?"
"Umas duas horas - mas na Europa, 28 dias."
"Tem a passagem de volta?"
"Claro... peraí."
Abri a bolsa de mão, lotada, e puxei um calhamaço de papeis. Por sorte, o do voo era o primeiro. A funcionária começou a examinar, confusa com a quantidade de conexões e escalas. Parecia que eu ia dar a volta ao mundo.
"Tem comprovante de hospedagem na Alemanha?
"Em Berlim vou ficar com um amigo, mas tenho das outras cidades."
Enquanto mexia nos papeis, fui narrando o que encontrava para ganhar tempo.
"Aqui, moça: albergue em Praga, Dubrovnik, Cracóvia, dicas de viagem para Budapest, guia da Oktoberfest..."
Percebi que a minha pressa estava deixando a funcionária exasperada. Ela deu ok e carimbou meu passaporte, provavelmente aliviada por se livrar de mim.
Corri até a esteira de bagagens só para descobrir que toda aquela afobação foi em vão: estava vazia e tive que esperar com todos os outros passageiros até resolverem liberá-las. E eu achando que alemães eram eficientes...
A mochila foi fácil de avistar: parecia um filhote de alienígena, toda embalada em plástico verde. Não quis desembrulha-la, porque tinha outro voo em seguida, e não consegui pegar um carrinho: custava 2 euros, eu só tinha reais e não havia caixa eletrônico a vista. O resultado? Uma brasileira desastrada correndo pelo aeroporto agarrando a mala no colo como se fosse um filho. Extraterrestre, ainda por cima.
Felizmente cheguei ao terminal certo em tempo, fiz o check in e, com as mãos livres, pude focar em coisas mais mundanas como sacar dinheiro, ir ao banheiro, comer.
Já na sala de embarque, fui confirmar com um funcionário o caminho certo até o meu portão:
“Berlim é por aqui?”
Ele respondeu sem hesitar:
“Sim... Mas Frankfurt é para lá, se você decidir ficar”. E ainda soltou uma piscadinha no final.
A primeira cantada da viagem, com muito estilo.
Dali em diante tudo correu suavemente, embarquei e, com um Prosecco em mãos, aguardei ansiosamente o momento de desembarcar em Berlim e começar oficialmente a aventura.

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