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Soberbo, magnífico, grandioso.
Quilômetros de tapete vermelho percorrendo os incontáveis degraus até a entrada. Em cada lateral, outro edifício imponente: catedrais gêmeas, uma francesa e uma alemã, que cercam a distinta Gendarmenmarkt e provam que estas nações podem, sim, conviver em harmonia.
Foi amor à primeira vista. Naquele momento eu soube que não poderia sair de Berlim sem apreciar um espetáculo na Konzerthaus.
No caminho até a bilheteria, tropecei em uma cadeira e quase tombei em cima de um coitado - típico, para uma pessoa que consegue cair parada (sim, já aconteceu - perguntem aos meus colegas de trabalho). Desculpe, com licença, e começa-se uma conversa. Descobri que ele estava esperando a bilheteria abrir para comprar a mesma apresentação que eu, então decidimos ir juntos.
No dia seguinte, nos encontramos na praça em frente e iniciamos a via crúcis até o topo das escadas. Admirei as senhorinhas que provavelmente fazem isso toda semana - vi gente jovem chegando ofegante lá em cima (eu? não, quê isso. imagina!).
A sala é deslumbrante. Bustos de compositores renomados ornavam as paredes, um órgão colossal ocupava toda a parede atrás do palco, lustres reluziam cada detalhe do cenário.
Sentamos no camarote frontal, com excelente vista para a orquestra. Pelo menos até um senhorzinho alemão polidamente apontar que a cadeira do meu amigo na verdade era dele. Comparamos os ingressos: ambos tinham o mesmo número de assento. Já me preparava para vociferar indignada com tamanha falta de organização, quando percebi que meu amigo tinha comprado o dia errado - sábado, em vez de sexta.
Dessa vez, a desorganização veio em nosso favor - ninguém na entrada percebeu, ou teríamos um problema muito maior. Por sorte havia dois lugares livres mais à frente, em uma posição ainda melhor, e nos apropriamos.
Os músicos entraram arrancando vivas da plateia. Pouco depois, o maestro - este, ovacionado de pé. A orquestra começou e o público se calou. Pelo menos até o fim do primeiro ato, quando começou o que batizei de...
"Transtorno da Garganta Bipolar".
Este fenômeno, ainda não estudado, consiste no silêncio absoluto durante cada ato, seguido de uma profusão incessante de tosses, desde as discretas até as mais catarrentas, nos breves intervalos. Isso aconteceu de forma idêntica em todos os cinco atos.
Não consegui entender: será que todos estavam prendendo a respiração, segurando a tosse durante aquele tempo todo? Isso é humanamente possível? Ou o silêncio repentino libera alguma substância no organismo que estimula a produção de reuma?
Médicos e fisiologistas, me deem uma luz!



Poderá a paz do silêncio e da harmonia perturbar a paz do espírito?
ResponderExcluirO coro em "tosses" anunciava a participação da plateia, em resposta ao espetáculo do palco, cada qual ao seu momento, ao seu timbre, ao seu ritmo.
Mas olhando a felicidade dos doentes... Mas olhando sua indignação de perfil... Mas por que você não tossiu?
Sua explicação é pura poesia, Thiago! Acho que no momento eu fiquei tão intrigada com o fenômeno que acabei não fazendo parte. Talvez eu devesse simplesmente relaxar e deixar minha garganta entrar na sinfonia. Quem sabe na próxima!
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