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Para quem quer que eu diga que vou viajar sozinha, essa é a primeira frase que escuto.
Coragem é a virtude que enfrenta o medo. Por que as pessoas têm tanto medo de viajar sós? E de onde vem toda essa admiração aos que se arriscam e saem por aí acompanhados somente de uma mochila?
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| Essa foi a minha companheira. |
Muitas vezes a dificuldade com idiomas paralisa as pessoas. Em outros casos é a timidez - o desafio de se comunicar com desconhecidos, mesmo falando a mesma língua. Às vezes é a preocupação em dar algo errado - perder um voo, ser furtado, sofrer um acidente, acabar o dinheiro - e não ter ninguém por perto para apoiar.
Mas eu acho que no fundo o medo é mesmo da solidão.
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| Você. |
Nós aprendemos desde cedo que a solidão é ruim - coisa de gente excêntrica, introvertida, anti-social, à margem da sociedade. Por isso, fugimos dela a todo custo. Mesmo trancados no quarto com mais ninguém, buscamos distrações pra disfarçar nossa solidão - a internet que o diga! Estar a sós com nossos pensamentos pode ser entediante - quando não sabemos o que pensar - ou doloroso - quando não queremos enfrentar nossos monstros.
Viajar só é ver a sua essência mais pura e verdadeira jogada na sua cara, sem censuras. Sua forma de reagir e lidar com cada situação é pessoal e intransferível. O seu olhar e a energia que ele passa vai definir como - e se - as pessoas se aproximam de você. Você vai passar longos períodos sem internet e sinal de celular e, quando acabar seu livro ou a bateria do tablet, se verá obrigado a pensar para passar o tempo. A reflexão é inevitável, assim como o crescimento que a acompanha.
Quem viaja só não desbrava apenas o mundo, mas sobretudo a si mesmo. Indo para fora e vivendo situações extremas, se volta para dentro e aprende como nenhuma escola poderia ensinar.
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| Essa é a melhor escola. |
O mochileiro solitário é sociável - pode não ter nascido assim, mas aprendeu a ser para não virar um ermitão.
É insaciável - entende que não é o mundo que muda, mas ele próprio, e mata sua sede de novidades a cada dia mudando apenas sua perspectiva.
Tem menos preconceitos - aprende que o diferente é apenas isso, nem melhor nem pior; e que na maioria das vezes esse papel vai ser dele.
Fica safo - aprende na marra a lidar com os mais diversos perrengues e a superar frustrações.
É mais leve - sabe que a felicidade está nos momentos mágicos que constrói, e não nas coisas que possui.
É autêntico - entende que não precisa vestir uma máscara para ser visto como alguém interessante.
É despojado - não tem tempo nem espaço na mochila para as últimas tendências da moda, então se veste de sua personalidade.
Eu viajo sozinha porque o que mais quero é aprender a ser essa pessoa. Mas se você não tem um mês de férias, não se garante no inglês ou não tem dinheiro para a passagem, não se preocupe. Um fim de semana na praia ou na serra, logo ali, é suficiente para começar.
Não é preciso ir longe para se encontrar.



Final sensacional... meu mochilão foi minha primeira experiência sozinho... e eu fiquei muito, mas MUITO satisfeito em ver como minhas reações às situações inusitadas ou que gerariam "medo" em outros, eu me comportei exatamente como faria aqui em minha terra... De fato, as pessoas criam uma admiração por quem viaja só, e eu me motivei a entrar nessa trupe justamente por ler relatos de outros viajantes.... Eu quero fazer uma mega viagem como fiz acompanhado, mas sem dúvida, ainda farei outras sozinho, porque a oportunidade de auto-conhecimento é indescritível e todo mundo deveria viver algo assim pelo menos 1 vz na vida...
ResponderExcluirÉ sair da zona de conforto, né Cadu? E o nível de autoconhecimento que a gente ganha nesse tipo de experiência não tem preço. Concordo, todo mundo tem que fazer pelo menos uma vez!
ExcluirEu fico pasmo com a cara das pessoas quando eu digo que fui pra ORLANDO sozinho... ZERO perrengue! Imagina mochilão... Imagina sendo mulher... UOU!
ResponderExcluirDe verdade, o perrengue é o de menos. Acho que o problema aqui é solidão mesmo. As pessoas esquecem como fazer amizades, como iniciar contatos - chegar junto, falar oi, fazer uma pergunta. Se crianças tiram de letra, porque quando crescem não conseguem mais?
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